Massa caseira

Você já deve ter notado que eu adoro cozinhar. Sempre me fascinou a alquimia, misturar os ingredientes, como numa fórmula mágica, e obter um resultado mais gostoso do que os sabores tomados em separado. Outra coisa que me atrai é o “eu que fiz”, saber que fui capaz de transformar o que a natureza nos dá em alimento. Vamos ao vídeo:

Esta receita que eu faço aqui é a que foi ao ar no programa Estrelas, da Angélica, no dia 10/09/2016. Eu costumo fazer junto com a família no fim de semana, porque é uma forma de reunir todo mundo em torno da preparação do almoço. Não por algum motivo romântico, é porque eles ficam em cima ansiosos pra ficar pronto logo…

blog-da-carla-vilhena-massa3  img_0051

Filosofias à parte, nada mais gostoso do que descobrir que algo que você achava dificílimo, como fazer massas caseiras, não só é fácil, como muito prazeroso. A receita é uma bobagem: para cada 100g de farinha, junte um ovo. Só isso. Se você quiser uma massa mais firme, a que os italianos chamam de “al dente”, pode misturar meio a meio a farinha de trigo comum com a sêmola di grano duro, uma farinha amarelinha que vende em supermercados mais bem sortidos.

blog-da-carla-vilhena-massa

Então, vamos à receita!

A preparação pode ser bem divertida se você conseguir seduzir marido e filhos para participar:
Junte a farinha (pese numa balança) com os ovos numa tigela grande. Amasse muito bem até desgrudar das mãos. Se precisar, acrescente ovo ou farinha, mas normalmente dá certinho a proporção, é só uma questão de amassar beeeem mesmo. É aí que entra o marido… o meu já sabe o ponto da massa e usa os muques para fazer o trabalho mais difícil.
Depois vem a parte que as crianças gostam: faça pequenas bolas pouco maiores que uma bola de tênis e abra com o rolo de pastel sobre uma superfície enfarinhada, pode ser no mármore da pia ou numa mesa de fórmica. Tem que ficar bem fininho e não pode grudar no rolo. Para cortar a massa, eu uso um cortador de pizza, daqueles redondos que correm sobre a massa sem agarrar. Vá arrumando as tiras de macarrão num tabuleiro enfarinhado ou, melhor ainda, pendure em algum lugar para secar.

thumb_dsc_0190_1024

Existem cabideiros especiais para secar massa, mas você pode usar o que quiser, até o encosto das cadeiras da cozinha. Deixe secar por mais ou menos seis horas e então pode guardar por até uma semana.

blog-da-carla-vilhena-massa4

Eu vou contar um segredo: comprei uma máquina de massa italiana que corta em diversos formatos. Mas se você não tiver, o modo de fazer com o rolo e o cortador dá quase no mesmo.

blog-da-carla-vilhena-massa2

Se você quiser comer a massa fresca, vá cortando e cozinhando em água fervente salgada. Use bastante água para não grudar. Fica pronto muito – MUITO – rápido ( 2 a 3 minutos). Ponha o seu molho preferido e sirva. Depois me conte como ficou. A Angélica gostou!

estrelas

Respostas de 31

  1. Olha, já sou famoso pelo molho de sobras do churrasco, agora vou ficar imbatível! Lembrei da massa que minha avó e bisavó faziam no casarão do Butantã. Ficavam secando no encosto da cadeira. Eu ajudava! Ví o programa por acaso e achei muito legal, agora estou na captura da maquina de macarrão secular da minha avó Mininha. Tá guardada em algum lugar, tenho certeza. De quebra descobri seu blog e constatei o que sempre desconfiei: Você é simpaticíssima. Um abraço. Julio, São José dos Campos.

      1. Bonita, simpática, inteligente e ainda sabe cozinhar… deve roncar, não pode ser tão perfeita.. rsrsrs

        com farinha COLAVITA, tudo fica otimo mesmo..

  2. Adorei o que o Julio falou, super concordo com ele 🙂 eu aqui vou fazer a massa no domingo!!! com rolo e cortador de pizza 😀

  3. Parabéns, Carla, amei a receita, vou fazer,.
    Você é muito fofa´, tive o prazer de estar contigo em pessoa, claro que você, não se lembra.

    Os: sou prima do Fernando Barreto, sou suspeita de falar sobre ele.

    Sucesso sempre, Carla, sua linda

  4. Oi Carla
    Sou neto e bisneto de Italianos e minha vó fazia macarrão em casa e sempre ajudava virando a manivela da máquina onde minha vó colocava a massa e minha tia colocava as massas esticadas na mesa e enquanto secava o macarrão ela cozinhava tomates inteiro na água e sal.
    Para fazer o molho ela colocava o escorredor dentro de uma panela e amassava os tomates presionando eles com uma concha para tirar o suco do tomate ficando a pele e o bagaco do tomate no escorredor.
    Ao levar a panela com o molho para o fogão jogava carne ja cozida e desfiada faltando completar o tempero e aproveitar para cozinhar o macarrão para ser servido junto com queijo parmesão ralado por mim.
    Depois disso era servir a bela MACARRONADA DA VOVÓ junto com um delicioso vinho de garrafão Sangue de Boi para os adultos e suco para as crianças.
    Bons tempos da minha infância e acabei recordando isso ao ler este post.
    Abraços e Vida Longa Carla!!
    António Carlos – Sorocaba

    1. Antônio Carlos, que delícia ler seu comentário! Eu não tive avós (elas morreram antes de eu conhecê-las), mas cheguei quase a sentir saudades da sua avozinha! A memória que temos das comidas da infância é tão incrível, que já foi tema de vários livros, inclusive da obra-prima de Proust, “Em busca do tempo perdido”. E é isso que tenho em mente ao fazer o blog, mostrar que o tempo pode ser usado a nosso favor, para que possamos viver melhor. Adorei compartilhar de suas lembranças. Venha sempre aqui no blog, adorei sua visita!

  5. Vc é um espetáculo na cozinha. Já lhe vi preparando alguns pratos. Essa massa é por demais deliciosa! Percebi que dá um trabalhinho, mas vale o trabalho. Parabéns pelos dotes culinários! Saúde, paz e vida longa.

  6. Carla Boa noite!..
    muito simpatica voce!
    nao pensei que fosse tao simples fazer um macarrao…
    adoro fazer as minhas proprias massa,plantar as minhas verduras, e olhe que nao tenho terra no meu quintal..
    um grande abraço…
    muito obrigada..

    1. Oi Doris, agora quero saber se você gostou de fazer a minha massa! Tentei simplificar para que todos possam curtir essa receita tão gostosa. Obrigada pelo carinho do seu comentário!

  7. Olá Carla! Comprei uma máquina dessas no Uruguai há algum tempo, mas ainda não me atrevi a usá-la; ao ver essa sua receita me empolguei! Vou fazer em breve!

  8. Oi Carla, adorei sua entrevista ( conversa ) com a Adriane Galisteu! Você é uma excelente profissional e percebi que também é uma pessoa incrível. Fiquei triste pois tinha um compromisso e não pude ouvir até o fim… Parabéns pelo seu trabalho e por seu estilo de vida, me identifiquei bastante! Sucesso! Adorei seu blog, agora não vou sair mais daqui! 🙂 um grande Abraço!

    1. Eu gostei muito da oportunidade de falar na Adriane Galisteu de uma forma que o público não está habituado a ver.
      Além do meu trabalho de jornalista, pude falar de cidadania. Muito obrigada, Luciana, vou esperar você mais vezes por aqui!

  9. Muito bacana Carla, adorei o preparo do seu molho. Comprei uma máquina marcatto 150 estou adorando trabalhar com ela. Parabéns .

  10. Sou muito sua fã , você explica com generosidade,muito obrigada por
    ser assim ????????????
    Arlene

Deixe um comentário para Arlete Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Recentes

Não é “só rico que lê” livros

Como assim, só rico lê livros? Venho de uma família nem rica, nem pobre. Fui criada no Rio, num apartamento alugado, típico classe média, dois quartos e um banheiro para 4 pessoas. Havia duas estantes de livros: numa, ficava a coleção do meu pai, de livros de Monteiro Lobato para

Leia mais »

Para meus filhos Pedro e Clarissa

Carta para meus filhos Aprendi que conviver com um filho é difícil e é lindo ao mesmo tempo. Aprendi a não esperar que meu filho seja uma pessoa cordata, e que é justamente esse lado questionador que vai lhe angariar as mais verdadeiras amizades. Aprendi também que resiliência nada mais

Leia mais »

Sopas da Carla: Minestrone

O que é minestrone? Minestra significa sopa em italiano. Minestrone é o aumentativo, ou seja, o nosso sopão. E realmente é um sopão de respeito: leva legumes, verduras, feijão, carne e massinha. A principal diferença do minestrone para a nossa sopa de legumes é a presença do feijão e o

Leia mais »

Chegadas e partidas

A amiga me liga e pede ajuda para vestir a mãe falecida para o sepultamento. “Melhor um vestido, né? Que tal este?” “É de mangas compridas”, digo sem pensar. “Está muito calor”. Mas logo recuo, pensando na minha estupidez. Que importa o calor. Aliás, que importa a roupa. O sapato.

Leia mais »

Para a amiga de toda a vida – Mônica Buriche

Minha melhor amiga me deixou hoje. Sem suavidade, sem doçura, sem nada do que a gente espera de um corolário de uma vida plena. Presa a fios e tubos. Ela tinha 56 anos. E era linda. Era cheia de alegria. Tinha dois netos pra cuidar, uma filha para amar. Muita

Leia mais »