Mantova, a Avalon italiana
Carla Vilhena
16 set 2016


Quem já leu o sucesso de Marion Zimmer Bradley, “As Brumas de Avalon”, vai lembrar de uma imagem de uma terra encantada, misteriosa, envolta na cerração, em meio a lagos e impossível de atingir sem o uso da magia. Pois quando conheci Mantova (Mântua), na Lombardia, norte da Itália, descobri que essa terra existe.

A nebbia

Na chegada, a cidade “surge” em meio à nebbia, névoa característica da região, e nos surpreende pela beleza dos espelhos d’água que a circundam. Um castelo soturno, cercado por fossos ainda cheios de água parada, ajuda a compor a atmosfera mágica da época medieval a que se refere o livro.

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Conhecer Mantova no verão é totalmente diferente de visitá-la no inverno. Uma vez fui até lá num mês de novembro. Tão gelado e com um nevoeiro tão grosso e baixo, que não consegui encontrar a entrada da cidade. Era impossível enxergar os cartazes indicativos na estrada.
Nossa ida agora foi em pleno verão, com calor e sol resplandecente.

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A cidade não faz parte do roteiro do turismo de massa, como Roma e Veneza. Fica até vazia nessa época. Como já disse no post sobre Roma, os moradores das cidades costumam ir para as praias no verão. Com essas condições propícias, o visitante consegue admirar com toda a calma os monumentos e igrejas. Dá até pra fazer imagens incríveis do castelo sem estar cercado de turistas.

Arte e história

Mantova é a pátria do poeta Virgílio, autor da “Eneida”, saga do herói troiano Enéas, filho da deusa Afrodite (Vênus). Virgílio também é o guia do poeta Dante Alighieri em sua visita aos círculos do Inferno, na obra-prima da língua italiana “Divina Comédia”.
A cidade foi fundada na época dos etruscos, mas viveu seu auge a partir do século XIV, quando a família Gonzaga se estabeleceu como mandante na região. Vários monumentos construídos na época estão ainda em perfeito estado. Alguns podem ser admirados, como o Palazzo dei Gonzaga e o Palazzo del Te, um pouco fora da cidade.

O passeio em Mantova pode ser feito em um dia. É uma cidade relativamente pequena, menos de 50.000 habitantes, e tudo pode ser alcançado a pé. As igrejas são visita obrigatória, principalmente a de Santo André. Lá se acredita que esteja uma relíquia do sangue de Cristo, recolhido por San Longino (que por aqui é conhecido como São Longuinho, o tal dos três pulinhos). Outra importante é a igreja românica de São Lourenço, cuja construção começou no século XI. É essa redonda atrás do lindo casal…

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Não deixe de ver o por do sol à beira dos lagos. É perfeito para fotos.

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Uma outra dica é a especialidade da província, o tortelli di zucca (abóbora). Veja a receita aqui. A culinária mantovana também conta com risotos e carnes, principalmente de porco, de um tipo que não temos aqui, como o cotecchino, perna de porco recheada. Um tanto pesado, mas não vamos esquecer que lá faz frio durante grande parte do ano, e uma comida mais gordurosa ajuda a aquecer o corpo.
Mantova é famosa também pela cultura, obras de arte e museus. Vale a pena desfrutar dessa cidade quase desconhecida dos brasileiros.









5 comentários


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  1. Pingback:Receita: tortelli di zucca (abóbora) mantovano - Carla Vilhena

  2. Djalma

    Querida amiga sou franciscano desde criança e já tive a oportunidade de estar em Assis e sentir grandes emoções. Com a graça de Deus no próximo mês de novembro eu e minha esposa estaremos novamente na Itália e com certeza iremos em Assis. Temos em comum o nascimento de nossas filhas onde tivemos a graça da interseção de São Francisco e Santa Clara. E o nome da nossa filha é Clara. Tenho outro filho que se chama Filipe Francisco. Parabéns vc nos faz bem.

    1. Carla Vilhena

      Que lindo depoimento! Nosso coração fica alimentado de amor quando pisa naquela terra sagrada! Obrigada pelo comentário e espero você sempre aqui comigo no blog.

  3. Letícia Lago

    Conheci Mantova em julho de 2015, quando íamos de Firenze para Veneza, sem planejamento algum e abrindo mão de alguns destinos mais famosos, como Verona
    , que acabou ficando de fora. O motivador da decisão foi o fato de Mantova ser a cidade natal de minha bisavó materna, o que despertou em mim um especial interesse em saber do que ela e a família abriram mão para se aventurar em terras tão distantes. Amei a cidade e arrisco a dizer que seja um dos locais mais organizados e limpos da Itália (com todo respeito, pois acabo de voltar de Catania na Sicília, que apesar de toda a história e charme do lugar, não parece fazer parte da mesma Itália onde Mantova se encontra). Seu relato me fez ter vontade de ir novamente, com mais tempo, a fim de entender e explorar melhor minhas raízes… Valeu!

    1. Carla Vilhena

      Realmente, apesar de Mantova não fazer parte do circuito turístico mais conhecido, é uma joia rara. Tive a sorte de conhecer a cidade quando morei lá, há vinte anos. Ao voltar, vejo que sempre vai valer a pena reservar um tempinho para desfrutá-la. Obrigada pelo comentário, Letícia, e bom retorno a Mantova!

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