Um passeio por Roma
Carla Vilhena
20 ago 2016


Roma do passado e do presente

Estive em Roma há quase 30 anos. Muito do que vi na época nunca me saiu da cabeça. Os monumentos grandiosos, a alegria e beleza dos jovens, as praças onde todos conviviam numa festa permanente, pelo menos durante o verão. Confesso que, ao voltar, não pude esconder minha decepção. Não com os monumentos e praças, que continuam obviamente lá, com todo seu esplendor. Mas o clima não é mais o mesmo. Conversando com italianos sobre minhas impressões, cheguei à conclusão que, nesses últimos longos anos de uma forte crise econômica, o país perdeu muito de sua alegria.

Outro fator que contribuiu para isso foi a baixíssima taxa de fertilidade dos casais italianos, uma das menores da Europa. O país hoje tem apenas 1,4 filhos por mulher. Quarenta por cento dos casais italianos não querem ter filhos. Isso significa que a Itália não está nem repondo a população que vai morrendo e, principalmente, que a população como um todo está envelhecendo.

Conhecendo a Cidade Eterna

Apesar de não ser mais a mesma cidade que conheci, Roma ainda é parte do roteiro fundamental de qualquer turista que se preze. E isso é o que se vê nas ruas, lotadas de estrangeiros com suas câmeras. Então vamos ao nosso passeio pelas belezas da Cidade Eterna.

Uma bela maneira de passear sem se cansar muito é pegar os ônibus de City Tour. São várias empresas, com ônibus de dois andares, de cores diferentes, que param em pontos turísticos. Você pode subir e descer à vontade, enquanto durar o seu bilhete. O nosso foi de um dia, mas há outras opções.

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Você já viu o post em que conto nosso passeio à parte antiga, Foro Romano, Palatino, Coliseu? Se não viu, pode ler aqui.

Fontana di Trevi

Na continuação do nosso giro, fomos à minha fonte favorita, a Fontana di Trevi, construída no séc. XVIII por Nicola Salvi sobre um projeto do escultor ícone do barroco, Gian Lorenzo Bernini.

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Quem não se lembra da cena em que Anita Ekberg, muito louca, entra na água da fonte de madrugada, para deleite de Marcello Mastroianni em “La Dolce Vita”, de Fellini?

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A cena, que virou ícone do filme e do cinema mundial, é de uma sensualidade atrelada à inocência que só Fellini conseguiria realizar. Pois a Fontana di Trevi continua sendo uma explosão de beleza barroca, com o deus Netuno singrando os mares em pé sobre um carro em forma de concha puxado por cavalos marinhos. Parece um enredo de escola de samba, no bom sentido.

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Uma multidão cerca a fonte e você tem que disputar com milhares de pessoas um espacinho nos degraus para tirar uma foto. Uma verdadeira guerra de paus de selfie. Mas, como eu disse, a beleza da fonte faz tudo valer a pena.

Pantheon

Seguimos a pé, sempre em meio às hordas de turistas, e fomos visitar o Pantheon, um templo que os romanos construíram para homenagear todos os deuses dos povos conquistados. Não vamos perder a aulinha: Pan (todos) theon (deuses).

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Hoje, é uma igreja católica, mas por fora tem aquele formato clássico de templo greco-romano.

Piazza Navona

Caminhamos até a praça Navona, uma praça em formato elíptico, com três chafarizes, onde fica a embaixada brasileira. Este que você vê, representando os quatro maiores rios do mundo conhecido à época, é do mesmo – genial – Bernini.

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Piazza D’Espagna

Por fim, a praça de Espanha, onde fica a escadaria da igreja Trinità dei Monti, que estava em reforma. A praça com o chafariz em forma de barco (La Barcaccia) é obra também do maravilhoso e já citado Bernini.

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Aqui, há 30 anos, presenciei uma das cenas mais divertidas da minha viagem adolescente: vários jovens romanos se divertindo, dançando e se banhando nas águas da fonte. Hoje, não há quase romanos nas ruas. O verão é sinônimo de êxodo para os moradores das cidades. Isso por causa do calor sufocante, que pode chegar a mais de 40 graus. Os italianos vão para as praias e deixam as cidades para os turistas…









9 comentários


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  1. Mara

    Adorei as dicas! Oi Carla! Alguma dica de hotel em Roma? Irei em breve!

    1. Carla Vilhena

      Infelizmente não… o nosso hotel era muito fora da cidade, longe de tudo, e nem era tão bom assim…

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  5. Felipe

    Estivemos em Roma em 2015, e realmente há muita pobreza e sujeira nas ruas, pessoas perdidas nas drogas e o atendimento muito ruim na maioria dos lugares (restaurantes, mercados, hotel etc.). Ainda pegamos uma greve dos metroviários. Vale pelos monumentos, sem dúvida.

    1. Carla Vilhena

      Então você sentiu também a minha decepção. Não com a cidade, que, como o próprio nome diz, é Eterna. Mas com as circunstâncias que a deixam hoje menos atraente pelo lado da limpeza, do atendimento, etc…
      Espero que surjam logo soluções para que Roma volte a ser mais agradável. Obrigada pelo comentário!

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