Fazendas de café revivem o passado glorioso
Carla Vilhena
17 maio 2017


Um passeio memorável

No ano passado, combinei com meus pais que passaríamos juntos alguns dias em Vassouras, cidade do Vale do Paraíba conhecida por suas fazendas de café. Sempre tive o sonho de ver algumas dessas fazendas, retrato do poderio dos barões do café.

Como a maioria já sabe, eu nasci no Rio de Janeiro, mas moro em São Paulo há vinte e cinco anos. Minha família continua toda lá no Rio. Então, eu e meus pais descobrimos um programa que é agradável para os dois lados: pelo menos uma vez por ano, vamos a algum lugar próximo à divisa dos estados para passar um fim de semana juntos.

Estive rapidamente na cidade de Vassouras quando fiz a reportagem para o Fantástico sobre o desmantelamento do nosso patrimônio histórico e arquitetônico. Outro lugar que visitei, Paranapiacaba, você já viu aqui no blog. Se ainda não viu, pode clicar aqui para ler o post.

Onde ficar?

Pesquisei na internet as opções de hospedagem para mim, meu esposo e meus pais. Havia várias pousadas na cidade de Vassouras, mas eu queria algo diferente. Até que encontrei uma casa com dois quartos, situada no terreno de uma fazenda, a Cachoeira Grande, uma das mais importantes da região. Reservei e lá fomos nós!

A estrada

Subindo a montanha, cheia de curvas, muita Mata Atlântica e cachoeiras.

Assim é a estradinha que leva da via Dutra até Vassouras. Um pouco de paciência com o trajeto – um tanto perigoso e em mão dupla – e chegamos. Na entrada, um lindo sino antes de um portão de ferro enorme.

 

Fazenda Cachoeira Grande

O proprietário mais famoso foi justamente aquele que viria a ser o Barão de Vassouras: Francisco José Teixeira Leite, um plantador de café, casou-se aos 24 anos com a prima, D. Maria Esméria Leite Ribeiro, e recebeu como dote a Fazenda da Cachoeira Grande. Este foi o princípio da imensa fortuna do futuro Barão. Francisco reformou a velha casa, dando-lhe o formato de um “T”.

 Em 1850, quando enviuvou de D. Maria, possuía em sua fazenda 250.000 pés de café, mantidos por 147 escravos e 15 crianças. Um ano depois, Francisco casou-se de novo com D. Ana Alexandrina Teixeira Leite, uma bonita “barramansense” (nascida em Barra Mansa, RJ) trinta anos mais nova. Fixou residência na próspera Vila de Vassouras, passando a usar a fazenda apenas nos fins de semana.

Francisco chegou a ter grande fortuna e usou-a em benefício de Vassouras. Foi Presidente da Câmara por mais de uma vez. Dotou a vila de inúmeros melhoramentos e foi o maior incentivador do transporte ferroviário em Vassouras, que foi elevada à condição de cidade em 1857. Mantinha negócios com quase duzentos comerciantes, sendo famoso pela probidade e honradez – coisa rara nos dias de hoje… Por seus méritos, foi elevado por D. Pedro II em 1871 à condição de Barão de Vassouras, ampliado três anos depois a Barão com Grandeza de Vassouras. (fonte: site Cachoeira Grande)

Nosso recanto

O filho da atual proprietária veio nos receber e encaminhar para nossa casinha, à beira de uma represa.

 Confortável e graciosa, sem internet, sem sinal de celular. Nenhum barulho por perto, perfeita para ouvir os sapos e pássaros. E foi isso que fizemos. Na primeira noite, passamos horas na varanda, vendo os vagalumes, ouvindo os sapinhos, barulhos da mata, sob as estrelas mais brilhantes que já vi. Como a fazenda fica afastada da cidade, pudemos ver toda a via Láctea sem a interferência das luzes urbanas. Não resisti: saí para um passeio à luz do luar. Usando galochas, é claro, para me proteger de eventuais ataques de cobras ou outros animais. O mais incrível: não sei se é assim o ano inteiro, mas em pleno verão não sofremos nenhuma picada de mosquitos ou pernilongos!

Visita à Casa Grande

A proprietária, Núbia Vergara, junto com o marido, nos recebeu para um tour na casa grande, cuidadosamente mobiliada com itens de época, que ela pessoalmente procurou para recompor um ambiente adequado à majestade da construção.

Destaque para as cômodas…

 

A enorme sala de jantar

E o aconchego da sala da lareira. Do lado de fora, um dia lindo favorecia a beleza da fachada, pródiga em janelas.

Visita à Fazenda Mulungu Vermelho

Aproveitamos para conhecer outra fazenda da região, cuja proprietária permite aos visitantes desfrutar de uma tarde agradável, revivendo a época do café.

  

A arquitetura é um pouco diversa da Cachoeira Grande, mas também de grande beleza.

Um local interessante é a antiga senzala, transformada em local de eventos, onde foi servido um café com comidinhas de fazenda, incluído na visita.

E este móvel com objetos de chá, uma das minhas paixões, como vocês podem ver neste post aqui.

  

Um passeio para não esquecer

Com certeza, haverá dificuldades em manter crianças e adolescentes num lugar sem internet ou atividades específicas para a idade. Mas para mim, meu marido e meus pais, foi um fim de semana inesquecível, que proporcionou tranquilidade e cultura, além do convívio em família. Experimente algo assim com seus pais. Aproveite!

 

 

 









8 comentários


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  1. Sandro Fonsêca

    É um lugar belíssimo! É um lugar pra sonhar e desfrutar o sossego. Parabéns! O lugar é magnânimo!

    1. Carla Vilhena

      Eu fiquei encantada com tanta coisa linda que existe ainda desconhecida da maioria… Muito obrigada, Sandro, pelo elogio!

  2. Gilbert Silva

    Que passeio maravilhoso querida Carla vilhena, lugar sensacional

  3. Fábio

    Oi Carla, realmente para descansar e renovar nossas energias só assim mesmo, longe de tudo para nos conectar com a natureza que é nossa essência. Ficar um pouco longe da tecnologia não faz mal a ninguém, precisamos dar mais atenção ao que está ao nosso redor sem duvida.Poder reviver esses momentos é maravilhoso, e quem não sabe o que é isso, essa é uma grande oportunidade para conhecer.
    Grande abraço, adoro suas matérias no blog e nas redes!

    1. Carla Vilhena

      Fábio, eu senti exatamente isso, um relaxamento impossível de conseguir nos dias de hoje. Espero repetir em breve.

  4. Claudio

    Espetacular este lugar !!!

    1. Carla Vilhena

      É lindo e infelizmente pouco conhecido, Claudio. Precisamos ter formas de valorizar nossa história.

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