Etiqueta nos aeroportos (parte 3)
Carla Vilhena
08 jul 2016


Começa a viagem

Continuando nossa série sobre etiqueta nos aeroportos. Está sentado no avião, acomodado, bagagem guardada? (veja os posts anteriores sobre embarque e dentro do avião)  Ponha o cinto de segurança e fique quieto. Nada de reclinar poltrona, abrir mesinha. Para a decolagem, o encosto terá que estar na vertical e a mesinha fechada. Não chute a poltrona da frente com aquele tique nervoso que alguns têm nas pernas. É de enlouquecer. Se você perceber que o seu filhinho está chutando a poltrona, mande-o parar. Pelo amor de Deus.

O avião decolou

Assim que o aviso de atar cintos é desligado pelo piloto, ao atingir a altura de cruzeiro, tem sempre alguém que começa a mexer no bagageiro lá em cima. Normalmente, essa pessoa, que não para sentada, pega o casaco, o livro, o jornal, fica com calor, devolve o casaco ao bagageiro, resolve por uma meia, encosta nos outros passageiros, fica pedindo licença pra passar por cima dos outros, é inconveniente. Para prevenir isso, faça uma sacolinha pequena, que caiba embaixo da poltrona à frente, e coloque ali tudo de que você precisa para o voo. Assim, mantendo os cintos de segurança sempre afivelados, você evita acidentes, que podem ocorrer em caso de turbulência.

O desembarque

Terminou o voo, o avião pousou, taxiou (andou pela pista) e estacionou. Mal o piloto desliga os motores (às vezes até antes), parece que um choque elétrico percorre as poltronas. Imediatamente, todos os passageiros se põem de pé, num corredor que mal cabe uma pessoa. Ou seja, no caso de um avião com seis pessoas por fileira, todas as seis tentam se posicionar num espaço de meio metro quadrado. Não satisfeitas, começam a abrir freneticamente os bagageiros, em busca de suas malas e sacolas, tornando aquilo um caos. Sempre conto um caso de um voo interno que peguei nos Estados Unidos: o avião parou e, ordenadamente, os passageiros começaram a se levantar e pegar as bagagens pela ordem das fileiras: primeiro a um, mais perto da porta, depois a dois e assim sucessivamente, sem atropelo, nem aperto, nem confusão, enquanto os outros permaneciam sentados, esperando a vez. Será que chegaremos a isso um dia?

Cadê minha mala?

O sufoco do desembarque não acabou, pois ainda temos que pegar as malas na esteira de bagagem. E aí, o mesmo poder de atração que o corredor do avião exerce sobre os adultos, a esteira de bagagens tem sobre as crianças. Todas correm para perto da esteira, para ficar ali, magnetizadas, fascinadas pelo movimento circular das malas passando. E, quando tentamos pegar as malas mais pesadas, temos que desviar dos bebezinhos hipnotizados…  Brincadeiras à parte, a esteira é perigosa para os pequenos. Melhor mantê-los afastados, sob supervisão de um adulto, enquanto alguém retira as bagagens. E aí sim, conferir a etiqueta, agora a da mala, pra não levar embora a bagagem de outra pessoa, o que também é uma tremenda falta… de etiqueta!IMG-20160220-WA0001

Já no ônibus do aeroporto, a caminho do hotel, no Rio de Janeiro.

Espero que você tenha aproveitado as dicas de etiqueta nos aeroportos que eu colecionei ao longo das minhas inúmeras horas de voo. Curta muito sua viagem, seja ela a trabalho ou de férias!

Beijo da

Carla Vilhena









8 comentários


///////////////

  1. Simone Povoa

    Oi, Carla! Amei os posts sobre etiqueta nos aeroportos. Por conta de já ter morado na Suécia, Suíça e agora nos Estados Unidos viajo muito de avião, e já reparei nos comportamentos que você citou nos posts. (Dei muita risada em algumas horas, rsrs). Agora, tem um hábito brasileiro que você não comentou, que é sobre aquela mania de ficar formando fila em frente ao portão de embarque muito antes de anunciarem o embarque. Como se não houvesse a fila de prioridades e se os assentos já não estivessem marcados! Aqui nos EUA (como você já deve ter visto várias vezes) na maior parte das vezes o embarque é feito por grupos, e as pessoas realmente ficam sentadinhas esperando o seu grupo ser chamado. Fico me perguntando por que os brasileiros não conseguem agir assim também… (Até tenho algumas respostas a esta pergunta, mas aí é toda uma outra conversa.) Mas o caso é que acho que não dá pra comparar, já que americano às vezes é até organizado demais. Acredita que na missa, na nora da comunhão, as pessoas ficam esperando até que todas as pessoas da fileira da frente tenham entrado na fila para então entrar? A primeira vez que vi isso, quase não acreditei, risos! = )

    1. Carla Vilhena

      É assim mesmo, né, Simone? Às vezes, fico me perguntando onde foi que erramos, já que, como você mesma citou, nos EUA tudo funciona… então não cabe a desculpa de povo colonizado. Quem sabe um dia chegaremos lá? Se eu não tivesse esperança, nem escreveria o post…
      Beijos e obrigada!

  2. JOSE EURIPEDES

    Realmente queremos ter uma convivencia mais educada e harmoniosa. Mas vai demorar muito a ser plena. Mas tudo que possa evoluir mesmo que gradativamente, mas que quando evolua realmente permaneca, proporcionara meios para novas evolucoes. Nao podemos desistir. Seu Blog em aeroporto mostra bem o comportamento respeitoso e civilizado como devemos respeitar e ser respeitado. Tem muitos e importantes comportamentos a serem alterados, alguns parecem pequenos, mas incomodam demais. Admiro o respeito entre os japoneses. Acho que devemos sim divulgar coisas boas para dias melhores em tudo que existe entre humanos. Existem TEMAS importantes para mudancas de habitos. USO DA AGUA, usar educadamente, evitando desperdicio, se possivel usando torneiras automaticas ou reduzindo o fluxo de agua em sua abertura, etc. LIXO, temos que evitar fazer lixo, nao pegando novas sacolas plasticas, evitar usar descartaveis, copos,etc., pratos de isopor entre outros e outras tantas embalagens e muitas outras ideias que possam contribuir com a natureza, pois o LIXO ocupa grandes areas que acabam poluindo o solo e ate a agua sob ele ou no minimo separar lixo oranico e levando o que pode ser reciclado a um local apropriado que o conduza a reciclagem final. Comparacoes de coisas boas sao sempre uteis para melhorarmos.
    PARABENS pelo seu Blog. PARABENS pelos seus excelentes trabalhos profissionais.

    1. Carla Vilhena

      Muito obrigada pelos comentários e pelas suas excelentes ideias para abordagem em posts futuros. Quanto ao comportamento em aeroportos, quis ser bem didática para que as pessoas bem-intencionadas possam aprender a passar sem problemas pelas fiscalizações e abordagens. Até a próxima!

  3. JOSE EURIPEDES

    Viagem pelo Brasil ou mundo. Com sua experiencia, sugiro mostrar lugares simples ou sofisticados, para seu grande e ecletico publico, sobre o BRASIL. Temos belezas incontaveis pelos diversos estados que nem imaginamos e as vezes de facil acesso.

    1. Carla Vilhena

      Espero que você goste dos posts sobre Paranapiacaba e Juazeiro do Norte, que mostram partes do Brasil que visitei e amei. Prometo fazer outros do Brasil. Obrigada pelo comentário e pela confiança!

  4. Fabio Fioretti Fernandes

    Adorei! Nós, os sofridos passageiros frequentes, procuramos nos aprimorar na arte de fazer um voo rolar redondinho; não raro, nos incomodamos com os passageiros demasiadamente inconvenientes, objetos do seu ótimo texto. Até me lembrei de um filme do Geoge Clooney e da Vera Farmiga, Amor Sem Escalas, onde o personagem dele tem certa obsessão que vai até na escolha de qual fila do raio x entrar, em função do perfil dos viajantes que nela estão.
    Não podemos fugir de algumas realidades. No Brasil, qualquer que seja a ocasião ou evento, formamos filas para fecundar óvulos. Daquelas bem apertadinhas, pq ficamos imaginando qual o momento em que um espertão vai tentar dar uma furada, daquelas de fazer o coração acelerar até querer pular no pescoço do cara. Particularmente, eu gosto de estar entre os primeiros da fila, por uma razão bem simples: encontrar um lugar para a bagagem de mão, pois esta não pode ir debaixo da poltrona à minha frente. Suas dimensões máximas de 115 cm não permitem que caiba sob a poltrona à minha frente. Ah, mas pq eu não a despacho? Simples demais responder essa: pq a falta de eficiência das filas das companhias e as constantes mudanças de regras, algumas bem criativas, nos fazem perder um tempo indeterminado, que pode ir de dois a 45 minutos, considerando as variáveis ‘mesmo aeroporto’, no ‘mesmo dia da semana’ e no ‘mesmo horário’. Quem entende ou pode explicar isso? Enfim, quando embarco sem despachar bagagem eu sei exatamente quanto tempo vou levar até me sentar na aeronave. Algo que fico observando durante o embarque, são aquelas pessoas que chegam esbaforidas no avião, com malas, sacolas, violão, paletó e um arsenal de reclamações sobre são ter espaço no bagageiro, incomodando comissários durante o embarque ou querendo fazer dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço, ao mesmo tempo e logo acima da sua cabeça; e te olham nos olhos com cara de pidão, como que sugerindo que vc tire sua mala dali para ele poder colocar a dele. Ainda sobre a fecundação do óvulo, dói nos rins quando vc chega na aeronave, praticamente vazia, mas justamente o bagageiro da sua fileira está fechado. Ao abri-lo, um paletó descansando esticado, alguém sentado debaixo dele e fazendo ar blasé… Aaaaaaargh!!! Eu dobro o paletó para o lado e coloco minha mala ao lado. Até hoje nunca apanhei por isso, mas já presenciei uma briga homérica pelo mesmo motivo, em outra ocasião.
    Sobre o espaço da sua bolsa ou mochila, à frente dos seus pés, pq o passageiro da frente gosta de colocar os calcanhares para trás? Apenas para pisoteá-los?
    E gente que finge que desligou o celular, mas continua no whatsapp durante o taxiamento? Uma vez minha úlcera estava atacada com a garota no assento do lado que, enquanto a aeronave ia para a cabeceira, teclava nervosamente no celular e observava a comissária se aproximando, de canto de olho. Quando a funcionária chegou do seu lado, a moça escondeu o telefone na bolsa com a mensagem pela metade. Pedi licença para a comissária e informei que a “moça ao meu lado havia guardado o celular ligado na bolsa”. Foi solicitado a ela que desligasse o celular, mas ela não desligou seus eyes with lasers direcionados para mim durante todo o voo.
    Não raro me sento ao lado de famosos, como vc, Carla. Não se preocupe… se acontecer conosco eu não vou querer ser sua melhor amiga de infância durante duas horas. Eu já vi gente penando com essas pessoas inconvenientes de dar desespero até aos que estavam nos assentos ao lado. No máximo, cumprimento a pessoa. “Oi Carla”!!!
    Descobri que correntinha de ouro, aliança, relógio de plástico ou mesmo uma pulseira de fecho metálico não são detectados no raio x… Mas se a pulseira tiver um fecho magnético aí o raio x vai te apitar antes mesmo de vc sair do táxi ou do Uber, lá na rua…
    Apesar da maior concentração de gente ansiosa por metro quadrado estar no corredor da aeronave antes do desembarque, um ponto positivo é que a maioria dos passageiros do corredor aguarda que os passageiros da fileira da frente saiam para então prosseguirem adiante. Significa que já aprendemos a ser uns 2% iguais aos passageiros americanos.
    Certa ocasião a aeronave voava com certa tranquilidade, apesar de pequena turbulência constante. Havia um passageiro misterioso que insistia em soltar puns. Já havia soltado uns quatro ou cinco em empesteavam alguns metros quadrados ao meu redor. Então chamei a comissária e pedi, bem educadamente: “Fulana, vc poderia pedir para o piloto voar sem pular tanto, pq esses solavancos estão fazendo alguém soltar um pum seguido do outro?” Ela quis rir, mas se segurou. O fato é que funcionou e os puns pararam! Fica a dica!
    Falando em dicas, muito obrigado pelas suas! Excelentes!

    1. Carla Vilhena

      Hahahahahaha, vê-se que você passa por todo tipo de situação, como eu! Muito divertido!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sugeridos para você:

///////////////