Cinema Paradiso
Carla Vilhena
26 jun 2016


Começo meu post sobre cinema com o título de um filme que é uma ode de amor à chamada “sétima arte”: o filme de Giuseppe Tornatore se passa na Itália de antes da chegada da televisão e mostra um menino (Totò) apaixonado por cinema a ponto de frequentar diariamente a sala de projeção. Lá, faz amizade com o projecionista Alfredo, que o inicia nos mistérios da tela grande. Mais tarde, já um cineasta famoso, Totò recebe a notícia de que Alfredo havia falecido. Isso o faz voltar às doces lembranças do passado e à nostalgia de dias de inocência.

 

O filme é apaixonante, como uma declaração de amor. A magia da tela e a atração que ela exercia sobre as multidões são mostradas em plenitude. Para quem nasceu na era da televisão e da internet, é difícil acreditar na histeria da época em torno de um lançamento de Hollywood. Para nós, que temos a imagem domesticada em mini-telas de smartphones, pensar no fascínio que o cinema exercia na época exige muita imaginação. Mas sempre é possível reviver um pouco desse fascínio assistindo aos clássicos que nunca morrem.

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(Para mim o beijo mais sexy do cinema, entre Burt Lancaster e Debora Kerr, “A um Passo da Eternidade” e o segundo, entre Vivien Leigh e Clark Gable, em “E o Vento Levou”)

Fiz isso minha vida toda. Minha irmã e eu éramos apaixonadas por filmes antigos. Ela sabia o nome de todos os atores que apareciam naquela mesa gigante, de algum almoço comemorativo nos estúdios de filmagem, e que era mostrada sempre em especiais sobre Hollywood. Nossa diversão era ver e rever infinitas vezes os musicais de Gene Kelly, Fred Astaire, Esther Williams e suas piscinas, e tantos outros…

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(Gene Kelly no maravilhoso “Cantando na Chuva”, um dos melhores filmes de todos os tempos.)

Quando tive meus filhos, fiz questão de iniciá-los com filmes como os de Jerry Lewis, Frank Sinatra, James Dean (ótimo para adolescentes), e percebi que, muitas vezes, eles tinham dificuldade de convencer os amigos a assistir junto com eles. As outras crianças não suportavam o ritmo mais lento, a edição mais arrastada, a música e os diálogos longos.

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(Na ordem: James Dean em “Juventude Transviada”, Jerry Lewis em “O Terror das Mulheres” e o musical “Sete Noivas para Sete Irmãos”)

Foi então que passei a aconselhar vários amigos com filhos pequenos. Se você gosta de cinema clássico, e quer que seus filhos apreciem com você, tente fazer com que eles comecem cedo a se acostumar a um ritmo diferente. Hoje em dia tudo é muito rápido. Os filmes são editados em velocidade de videogame. Se a criança não for apresentada aos clássicos antes de cair nessa roda-viva, será muito difícil reverter isso.

Felizmente, vi vários amigos serem bem-sucedidos nesse esforço. Conheço muitos adolescentes, amigos de meus filhos, que curtem os clássicos, sem serem pessoas deslocadas ou fora da realidade de seu tempo. Vi que há esperança para a arte do cinema. Há uma nova geração que conhece o que é bom e vai manter alto o nível de exigência das novas produções. Isso é o que vai fazer o bom cinema ter lugar sempre nos nossos corações.

Deixo aqui uma pequena lista de clássicos do cinema que marcaram minha vida:

  • O Clamor do Sexo (Splendor in the Grass, direção Elia Kazan, 1961)
  • A Felicidade não se compra (It’s a Wonderful Life, direção Frank Capra, 1946)
  • A Noviça Rebelde (The Sound of Music,  direção Robert Wise, 1965)
  • Sissi (trilogia de Ernst Marischka, 1955)
  • Pele de Asno (Peau d’Âne, direção de Jacques Demy, 1970)
  • O Poderoso Chefão (The Godfather, direção Francis Ford Coppola, 1972)
  • Morangos Silvestres (direção de Ingmar Bergman, 1957)
  • Bellissima (direção de Luchino Visconti, 1951)
  • Amarcord ( direção Federico Fellini, 1973)
  • A Cor Púrpura (The Color Purple, direção Steven Spielberg, 1985)
  • Amor, Sublime Amor (West Side Story, diretor Robert Wise, 1961)
  • Cantando na Chuva (Singing in the Rain, direção Stanley Donen, 1952)
  • Sete Noivas para Sete Irmãos (Seven Brides for Seven Brothers, direção Stanley Donen, 1954)

Sei que é uma lista modesta para a quantidade de maravilhas que o cinema produziu. Mas é apenas um começo para quem quiser saber o básico das várias épocas áureas desta arte. Divirta-se!









8 comentários


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  1. Djalma Ramos

    Carla muito lindo e maravilhoso precisamos de sensibilidade e vc tem.

  2. Claudio Marques Vicente Vianna

    Carla, meu filho com 3 anos riu com os Irmãos Marx e agora, com 4 anos, gargalhou com Tom & Jerry antigos. Boas dicas pra fazer ele gostar dos clássicos.

    1. Carla Vilhena

      Uma das cenas que mais fizeram meus filhos rirem foi a máquina de alimentar do filme “Tempos Modernos”, do Charles Chaplin!

  3. Celso de Macedo Marques

    Exelente trabalho e de muito bom gosto.

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