A batalha de Oscar Schmidt e o meu recomeço
Carla Vilhena
06 set 2016


(Há três anos, iniciei uma nova fase na minha carreira jornalística. Deixei a bancada, onde havia passado vinte anos, e fui para a reportagem do Fantástico. Um desafio e tanto. Minha estreia se deu com duas reportagens. Uma sobre as novelas que retratavam bairros de São Paulo e a outra, marcante e surpreendente: Oscar, o ídolo do basquete, revelou que tinha câncer no cérebro. O que se segue é um relato desse dia, em que conversei com Oscar na casa dele,  conheci o lado frágil de um dos maiores atletas do mundo e tive a oportunidade de dizer a ele: o Brasil inteiro está a seu lado.)

Uma visita muito especial ao nosso campeão

O sorriso aberto continua o mesmo. O coração também. Oscar surpreendeu os fãs do mundo inteiro ao contar sua história de luta contra o câncer. Um tumor na cabeça, que ele já havia operado há dois anos, voltou. Menor, mas mais agressivo. Mas os médicos estão otimistas, principalmente depois da segunda operação que retirou o glioma (nome do tumor) sem deixar sequelas em Oscar.

Nós chegamos à casa do ex-jogador numa linda tarde de sol, e encontramos um homem com muitos motivos pra ser feliz. Sucesso, uma casa confortável, cachorros, família amorosa, tudo que a vida podia trazer a esse esportista, que conquistou o Brasil e o mundo com suas vitórias.

É lá que Oscar busca a tranquilidade de que precisa para mais uma batalha. E conta com a ajuda de muita gente. Em meio a milhares de mensagens que ele já recebeu do mundo inteiro, uma tem lugar de destaque: um cartão, enviado por crianças que fazem tratamento de câncer no GRAAC, em São Paulo. Elas escreveram: Força, Oscar! E desenharam uma bola entrando na cesta. Todas assinaram, nome e idade. Eu digo a ele que essas crianças o vêem como um exemplo e um incentivo para a luta que cada uma delas trava hoje contra um inimigo comum. É a única hora em que ele se emociona, ao olhar os desenhos das crianças.

Troféus e reconhecimento

Em todos os outros momentos, Oscar surpreende pela positividade. “Nas poucas ocasiões em que fico triste,” diz ele, dentro da lotada sala de troféus, “olho pra todas as homenagens que recebi e sinto que essas lembranças me trazem força”.
Oscar guarda cada medalha que ganhou desde o começo da carreira. Arruma tudo, pessoalmente, em várias gavetas. E tudo tem um significado. Para comemorar os vinte anos do Panamericano de 87, o maior momento da carreira, Oscar mandou confeccionar 16 anéis comemorativos, que deu a cada um dos ex-companheiros. O dele, Oscar faz questão de usar em ocasiões especiais.

Em destaque na parede está a camisa do Sírio, único clube brasileiro a ganhar o campeonato mundial. Também a do Flamengo, onde bateu o recorde mundial de pontos, que é dele até hoje. É claro que lá está também a da Seleção Brasileira, e muitas outras lembranças.
Uma, muito especial, é a tabela que seu pai, Oswaldo, construiu para o menino Oscar se divertir atirando a bola enquanto ficava deitado na cama, durante uma doença. Oscar me conta que o pai sofreu vários ataques cardíacos e faleceu este ano. Olha para a tabela com carinho. É o menino do seu Oswaldo de novo.

A importância da família

O bom humor virou seu companheiro. E é o que dá forças pra enfrentar as dificuldades do tratamento.
O enjoo incomoda, mas até com isso, Oscar faz brincadeira.
Faz questão de ressaltar a dedicação da filha, Stephany. Ela é a responsável pela administração de todos os vários remédios em vários horários.

E o carinho do resto do seu harém, como ele chama a mulher, Cristina, a mãe, Janira, e a fiel funcionária, Neti. Todas preocupadas e presentes neste momento difícil.
Oscar afaga os cabelos brancos de dona Janira. Curvando-se, desfaz a diferença de 35 centímetros de altura e beija-a no alto da cabeça.
Uma tarde esplêndida, ao lado de um de meus maiores ídolos. Estou muito feliz porque tive a oportunidade de agradecer a ele pessoalmente por tantas alegrias.

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4 comentários


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  1. Samuel Pereira

    Carla Vilhena parabéns pelo texto sobre o mestre Oscar que tantas glórias deu ao nosso país. Vou continuar aqui no blog e ler os outros posts. bj.

    1. Carla Vilhena

      muito obrigada! Foi com muito carinho que escrevi. Espero que goste também dos outros posts. Até logo!

  2. Marconi

    Nossa, que texto bem escrito! Te acompanho tb lá no instagram… Parabéns pela carreira!

    1. Carla Vilhena

      Muito obrigada, seu comentário me deixou muito feliz! Isso me dá muito estímulo para continuar o trabalho. Volte logo!

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