Assis, santo é seu nome

Em uma colina, no meio da região italiana da Umbria, surge uma pequena cidade que, além da beleza de outras semelhantes, carrega uma aura única. Estou falando de Assis, um lugar mágico e santo, impressionante por ter sido palco de tantos acontecimentos extraordinários e por ter sido berço de um dos maiores santos da Igreja Católica.

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O Santo dos humildes

São Francisco nasceu no século XII, em uma família rica de comerciantes de tecidos. Foi um adolescente normal, com amigos, festeiro e fútil. Até que recebeu um chamado de Jesus Cristo, que lhe pediu que “restaurasse sua casa”. No princípio, Francisco se dedicou à reconstrução da igrejinha da cidade. Até que teve a revelação de que, na verdade, o que Cristo o chamava a restaurar era a própria instituição da Igreja. Fundou uma ordem mendicante, se instalou em cabanas e não aceitava nenhum tipo de posse ou bem material. Isso não teve boa repercussão no Vaticano, e logo Francisco passou a ter problemas com o papa. Mas o exemplo de sua vida dedicada aos mais pobres e humildes, além de seu amor pela natureza e pelos animais, tornaram-no um líder inconteste e enfim reconhecido como santo pela Igreja, apenas dois anos depois de sua morte.

Sua principal seguidora e companheira foi Santa Clara, também de Assis, padroeira das comunicações e da televisão.

Além da beleza que mencionei no começo do texto, Assis tem algo de diferente das outras cidades. Aqui, não se percebe, nem no verão, aquele movimento um pouco estressante de hordas de turistas com suas máquinas fotográficas e celulares em punho. Não vi multidões, nem filas, nem aglomerações nas igrejas.

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Local de serenidade

O que se sente em todo lugar é uma atitude respeitosa, contemplativa, de quem reconhece estar diante de algo inexplicável e magnífico. Nas igrejas, o passeio é lento. Os turistas parecem estar ali para sorver algo da santidade que se sente no ar. No túmulo de Santa Clara, todos param para uma oração, um agradecimento. Eu, especialmente, por ser a santa a quem dedico o sucesso da minha gravidez de gêmeos, que resultou nos meus filhos Pedro e Clarissa (que, não por acaso, leva o nome das religiosas dedicadas a Santa Clara).

Num arco, pode-se ler: “desça e veja o local onde nasceu Francisco, o pobrezinho”. Não sei se é verdadeiro, mas a capela cativa pela simplicidade e convida a uma prece.

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Passeando a pé pelas vielas medievais, uma grande sensação de paz me preenchia. O legado desse santo da doçura, da humildade, do amor, da doação, está por toda parte. E é isso que está expresso em sua oração mais conhecida.

Oração pela Paz

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde há ódio, que eu leve o amor.
Onde há ofensa, que eu leve o perdão.
Onde há discórdia, que eu leve a união.
Onde há dúvida, que eu leve a fé.
Onde há erro, que eu leve a verdade.
Onde há desespero, que eu leve a esperança.
Onde há tristeza, que eu leve a alegria.
Onde há trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna.

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